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Quando a experiência deixa de ser uma vantagem?

há 6 dias
3 min de leitura
Experiência profissional na tomada de decisões e na adaptação às mudanças

Experiência ajuda. E muito.

Quem já passou por determinada situação costuma perceber coisas que quem está começando ainda não percebe. Já errou, já corrigiu, já viu o resultado de uma decisão tomada de um jeito ou de outro. Com o tempo, isso traz segurança. Mas segurança também pode virar uma armadilha. É quando aquilo que aprendemos deixa de ser uma referência e passa a ser uma espécie de resposta pronta.

“Na minha experiência, isso não funciona.”

“Sempre fizemos assim.”

“Já tentamos isso antes.”

É difícil dizer que essas frases estejam erradas. Muitas vezes, elas estão baseadas justamente em algo que deu certo ou que foi aprendido na prática.


A questão é outra: a situação ainda é a mesma?


Essa pergunta costuma aparecer tarde. O mercado muda, o comportamento das pessoas muda, surgem novas ferramentas, novas necessidades, novas formas de fazer as coisas. Uma solução que funcionou durante dez anos pode deixar de funcionar hoje. E isso não significa que a experiência estava errada.

Significa apenas que o cenário mudou.

Talvez seja aí que a experiência precise ser melhor compreendida. Ela deveria nos ajudar a perceber a mudança antes, não nos convencer de que nada precisa mudar.

Pense em alguém que percorreu a mesma estrada durante vinte anos. Conhece as curvas, os trechos ruins, os lugares onde precisa diminuir a velocidade. Um dia, uma ponte é interditada. Ele pode reclamar que aquela sempre foi a melhor rota. Pode até ter razão durante todos os anos anteriores. Mas a ponte continua interditada.

A experiência não desapareceu. O caminho é que deixou de ser o mesmo.

Na vida profissional, acontece algo parecido. Quanto mais tempo passamos fazendo alguma coisa, mais fácil fica confiar naquilo que já conhecemos. E isso é bom até certo ponto. O problema começa quando a confiança impede que a gente olhe novamente para a situação. É possível ter muita experiência e, ainda assim, estar olhando para o problema com os mesmos olhos de dez anos atrás.


Por isso, uma pergunta simples pode ser bastante útil:

Será que existe uma maneira melhor de fazer isso?


Não significa colocar tudo em dúvida. Nem abandonar aquilo que já funciona.

Significa deixar uma porta aberta.

Às vezes, a resposta será “não, o jeito atual continua sendo o melhor”. Ótimo.

Mas, em outras situações, a pergunta vai revelar alguma coisa que havia passado despercebida.

Isso também explica por que pessoas experientes ainda precisam aprender.

Talvez uma das diferenças entre alguém que acumulou experiência e alguém que realmente amadureceu com ela esteja justamente na disposição para rever uma ideia.

A pessoa experiente conhece muitas respostas.


Mas também deveria saber reconhecer quando precisa fazer outra pergunta.

“Eu já vi isso acontecer. O que mudou desde então?”


Essa pergunta pode vir de alguém que acabou de chegar à empresa. Pode surgir de um cliente. Pode aparecer quando um dado contradiz uma percepção que parecia óbvia.

Pode até vir de uma tecnologia nova. E aqui existe um ponto interessante.

Uma nova ferramenta não torna automaticamente melhor aquilo que uma empresa faz. Mas ela pode revelar que determinado processo, criado quando as condições eram outras, já não precisa continuar daquele jeito. O mesmo vale para os dados.

Eles podem confirmar uma percepção. Mas também podem contrariá-la.

É justamente por isso que empresas com muitos anos de mercado também precisam continuar se questionando. Experiência, processos consolidados e profissionais competentes são ativos importantes. Só que nenhum deles garante, sozinho, que a empresa esteja tomando decisões de acordo com a realidade atual.


Às vezes, a mudança começa com uma pergunta bastante simples:

“Por que fazemos desse jeito?”

E depois vem uma pergunta ainda mais incômoda:

“Ainda precisa ser desse jeito?”

Talvez essa seja uma das partes mais difíceis da experiência.


Não é adquirir conhecimento. É aceitar que aquilo que sabemos pode precisar ser revisto.

Isso não diminui o que aprendemos. Pelo contrário. Dá utilidade ao aprendizado.

Porque experiência não deveria servir apenas para repetir aquilo que já conhecemos. Ela deveria nos ajudar a reconhecer quando chegou a hora de procurar outro caminho.

No fim, talvez a questão não seja quanto tempo de experiência temos. É o que fazemos com ela.

Podemos usá-la para defender o que já sabemos ou para enxergar melhor aquilo que ainda precisamos aprender. E talvez seja justamente aí que a experiência deixa de ser apenas passado e começa a ter valor para o futuro.

 

 
 
 

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